Em portarias publicadas no DOE (Diário Oficial do Estado) desta sexta-feira (22), a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) autorizou o registro e a comercialização de 15 novos agrotóxicos em Mato Grosso do Sul.
Entre os produtos liberados, estão herbicidas, fungicidas, inseticidas, acaricidas e defensivos microbiológicos destinados a diferentes culturas agrícolas. A maior parte dos novos registros está classificada como “produto improvável de causar dano agudo”, conforme os parâmetros toxicológicos adotados pela agência. Ainda assim, ao menos dois produtos receberam classificação de “altamente tóxico”.
O principal destaque é o fungicida Fusão Fix, da empresa Iharabras, composto pelos ingredientes ativos metominostrobina, tebuconazol e clorotalonil. Conforme a portaria publicada pela Iagro, o produto foi enquadrado como “altamente tóxico”.
Outro produto com a mesma classificação é o inseticida Karate Duo, da Syngenta, formulado à base de bifentrina e lambda-cialotrina.
Também foram liberados produtos classificados como “moderadamente tóxicos”, caso do herbicida Atrivo, da Tecnomyl, produzido com dibrometo de diquate, do inseticida Sinnema, da ISK, e do herbicida Cropchem, formulado com haloxifope-p-metílico.
Entre os defensivos considerados de menor toxicidade, aparecem os herbicidas Audace 850 WG e Loyer Max, ambos formulados com glufosinato — sal de amônio, além do fungicida microbiológico No-Nema Stimus, produzido a partir da bactéria Bacillus amyloliquefaciens.
A lista também inclui produtos biológicos e microbiológicos, como o Taneem, da Biovirtus Soluções Ambientais, formulado com extratos de neem (Azadirachta indica), utilizado como fungicida e inseticida.
Confira os produtos liberados:
Vextar SC (acaricida e inseticida – clorfenapir): pouco tóxico;
Destroyer (herbicida – 2,4-D e picloram): improvável causar dano agudo;
Sinnema (inseticida – fostiazato): moderadamente tóxico;
Audace 850 WG (herbicida – glufosinato sal de amônio): improvável causar dano agudo;
No-Nema Stimus (nematicida e fungicida microbiológico): improvável causar dano agudo;
Cripta TR (inseticida – acetamiprido e bifentrina): pouco tóxico;
Cropchem (herbicida – haloxifope-p-metílico): moderadamente tóxico;
Fusão Fix (fungicida – metominostrobina, tebuconazol e clorotalonil): altamente tóxico;
Atrivo (herbicida – dibrometo de diquate): moderadamente tóxico;
Loyer Max (herbicida – glufosinato sal de amônio): improvável causar dano agudo;
Magma (herbicida – flumioxazina): improvável causar dano agudo;
Taneem (fungicida e inseticida biológico): improvável causar dano agudo;
Baytan Pro (fungicida – protioconazol): improvável causar dano agudo;
Trabuco WG (inseticida – acetamiprido e bifentrina): pouco tóxico;
Karate Duo (inseticida – bifentrina e lambda cialotrina): altamente tóxico.
Atualização de cadastros
Além dos novos registros, a Iagro promoveu alterações em cadastros já existentes. Entre as mudanças, está a autorização de aplicação aérea para o produto Magnum, da Adama Brasil.
A agência ainda ampliou o uso permitido de alguns defensivos para novas culturas agrícolas. O Trigger 240 SC passou a ter autorização para uso em alho, couve, maracujá, melão, milho, repolho, milheto e sorgo. Já o Peão 200 EC recebeu inclusão das culturas de trigo, aveia, centeio, cevada e triticale.
Outras alterações envolvem a inclusão de novos alvos biológicos. O produto Swat recebeu autorização para combate à ferrugem do café, enquanto o Klorpan 480 EC teve ampliação de uso para controle de pragas na cultura do trigo.
Contaminação em MS
Em 2025, um dossiê elaborado pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e pela Ensp (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) apontou os impactos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva, com destaque para áreas de conflito indígena em Mato Grosso do Sul, como a região de Caarapó.
Conforme o estudo, análises realizadas com amostras coletadas entre 2020 e 2021 na Terra Indígena Tirecatinga identificaram contaminação por agrotóxicos em diferentes materiais, como água da chuva, água de poço, rios, plantas medicinais, frutos do Cerrado, alimentos, peixes, caça e mel.
Os resultados indicaram presença de resíduos em 90% das amostras, com detecção de 11 tipos diferentes de agrotóxicos, média de quatro substâncias por amostra. Entre eles, cinco (45%) são proibidos na União Europeia.
Há ainda relatos de redução na produção de frutas e adoecimento de animais em períodos de intensa pulverização nas lavouras do entorno da terra indígena.









Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.