Adecoagro reverte prejuízo e tem lucro de US$ 9,6 mi no 4º trim./2019

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A Adecoagro, uma das companhias líderes do setor agrícola na América do Sul, registrou lucro líquido de US$ 9,622 milhões no quarto trimestre de 2019, revertendo prejuízo de US$ 4,255 milhões em igual período do ano anterior. Em termos ajustados, houve prejuízo de US$ 5,236 milhões, 69,1% menor do que o prejuízo de US$ 16,927 milhões verificado um ano antes.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em US$ 66,35 milhões, aumento de 83,6% ante o quarto trimestre de 2018. A margem Ebitda ajustado passou de 16,9% para 26,3%. As vendas líquidas aumentaram 18% na mesma comparação, para US$ 252 milhões.

No segmento de açúcar, etanol e cogeração de energia a partir de cana, o Ebitda ajustado cresceu 21,4% ante o quarto trimestre de 2018, para US$ 55,18 milhões. De acordo com a Adecoagro, o aumento refletiu um mix mais alcooleiro (94%), menores custos e ganhos financeiros. Durante o quarto trimestre, os preços de etanol aumentaram significativamente, destacou a empresa.

O volume processado de cana-de-açúcar diminuiu 34,3% no quarto trimestre de 2019 na comparação anual, para 1,803 milhão de toneladas. A produção de açúcar diminuiu 76,1%, para 14.707 toneladas, enquanto a de etanol caiu 10,9%, para 152,3 milhões de litros.

A companhia disse que está se aproximando da fase final de seu plano de 5 anos. Dos US$ 60 milhões que faltam ser investidos, o Brasil vai absorver a maior parte e usá-la na expansão de canaviais, segundo a Adecoagro.

Mais etanol em MS e mais açúcar em MG

A Adecoagro espera produzir mais etanol em Mato Grosso do Sul e mais açúcar em Minas Gerais, de acordo com o diretor de Açúcar, Etanol e Energia da empresa, Renato Junqueira Santos Pereira. "Em Mato Grosso do Sul, temos restituição de impostos e disponibilidade de estocagem para vender o etanol no pico do preço, então acreditamos que vamos maximizar a produção de etanol no Estado", disse ele há pouco em teleconferência com investidores e analistas. "Já em Minas Gerais, achamos que vamos produzir mais açúcar, mas vamos prestar atenção para arbitrar com base nos preços", salientou.

Quanto aos preços do adoçante, que vêm sendo pressionados em decorrência do coronavírus e do recuo do petróleo, Pereira disse que os "fundamentos estão bons". Mesmo que a produção do Brasil aumente na próxima safra, afirma ele, especialistas ainda esperam déficit global entre 7 milhões de toneladas e 11 milhões de toneladas. "Quando passarmos deste atual momento, achamos que o açúcar vai se recuperar."

Em relação aos temores de o recuo do petróleo tornar o etanol menos competitivo, o executivo disse que os preços na refinaria representam um menor parte do valor da gasolina cobrada na bomba, e que a desvalorização do real ajuda a "mitigar efeitos do preço baixo".

O câmbio, no entanto, não deve influenciar os custos da empresa, pois os insumos da companhia já estão negociados em reais, de acordo com o executivo.

A empresa informou, ainda, que é cedo para prever o efeito que o coronavírus terá na demanda, mas já admite esperar que possa ter leve queda. "É cedo para prever, porque depende do crescimento global e do Brasil", afirmou Pereira. "Esperamos que nossa demanda caia um pouco, mas é cedo para dar número final. Produzimos itens que as pessoas sempre vão consumir, como açúcar, então o impacto deve ser menor do que para outros produtos", completou.

O CEO da companhia, Mariano Bosch, disse que a empresa está preparada para os desafios que estão à frente. Mesmo assim, durante a teleconferência, foi comentado que pode haver queda entre 5% e 8% no Ebitda projetado para a empresa.

Bosch também ressaltou que o plano de investimentos de cinco anos está se aproximando do fim e que este ano a empresa pode voltar a ter fluxo de caixa livre positivo.

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