Publicado em: 31/10/2026

Do posto ao supermercado, novo ICMS pode pesar no bolso em MS

Aumento do imposto sobre combustíveis entra em vigor em fevereiro; diesel terá a maior alta

CGNews, Guilherme Cavalcante
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Abastecimento de caminhão com óleo diesel em posto de combustível em Campo Grande.

Abastecer o carro, comprar gás de cozinha e até pagar por produtos transportados por caminhões pode ficar mais caro em Mato Grosso do Sul a partir de fevereiro de 2027. Isso porque o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre gasolina, diesel e gás de cozinha elevará a tributação em até R$ 0,13 por litro.

Na prática, se a diferença for integralmente repassada ao consumidor, abastecer um tanque de 50 litros de gasolina custará R$ 3,50 a mais, enquanto o botijão de gás de 13 quilos terá acréscimo de R$ 0,91.

A mudança ocorre em um mercado que já enfrenta oscilações de preços ao longo de 2026. Em outubro, levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgado pelo Campo Grande News, mostrou que a gasolina comum custava, em média, R$ 6,28 em Campo Grande e R$ 6,42 no Estado. Em Dourados, o litro chegou a R$ 7,29.

Considerando apenas o impacto do novo imposto, o preço médio de R$ 6,28 registrado na Capital passaria para R$ 6,35. Um abastecimento de 50 litros, que custaria R$ 314 nesse patamar, subiria para R$ 317,50. Para um motorista que consome 150 litros por mês, a diferença seria de R$ 10,50 mensais ou R$ 126 ao longo de um ano.

Os valores são simulações feitas pela reportagem, com base nos preços de outubro e não representam previsão para fevereiro. Até lá, as cotações poderão sofrer alterações por fatores como preço do petróleo, câmbio, custos de distribuição e margens comerciais.

Impacto no diesel - O maior aumento tributário será aplicado ao diesel, que passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, diferença de R$ 0,13. Para um caminhão abastecido com 200 litros, o acréscimo potencial será de R$ 26 por abastecimento.

Em Mato Grosso do Sul, o impacto merece atenção pela importância do transporte rodoviário para o escoamento da produção agropecuária e o abastecimento das cidades. O aumento do diesel pode pressionar o custo do frete e, dependendo da capacidade das empresas de absorver essa despesa, chegar aos preços de alimentos e outros produtos.

Dados da ANP também publicados pelo Campo Grande News em julho mostram que o diesel respondeu por 61,18% de todos os combustíveis comercializados no Estado entre janeiro e maio de 2026. Foram 859,7 milhões de litros, volume 5,76% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A elevação dos custos de transporte já havia preocupado o setor ao longo deste ano. Em abril, reportagem do jornal mostrou que o diesel acumulou alta de 20,85% em Campo Grande em pouco mais de um mês, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Na ocasião, representantes do setor de logística alertaram para possíveis reflexos sobre fretes, inflação e abastecimento.

Quanto pode aumentar? - As novas alíquotas foram aprovadas pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) e produzirão efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2027. Na gasolina, o imposto passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, aumento de R$ 0,07, equivalente a 4,46%. No diesel, a cobrança subirá de R$ 1,17 para R$ 1,30, alta de 11,11%.

Para o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), utilizado nos botijões de cozinha, o imposto aumentará de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, diferença de 4,76%. Na prática, caso os reajustes sejam integralmente transferidos aos preços finais, o impacto será de:

R$ 2,80 a mais para abastecer 40 litros de gasolina;

R$ 3,50 a mais para abastecer 50 litros de gasolina;

R$ 10,50 adicionais para consumir 150 litros de gasolina por mês;

R$ 26 a mais para abastecer 200 litros de diesel;

R$ 0,91 a mais na compra de um botijão de gás de 13 quilos.

O aumento do imposto, entretanto, não significa que os combustíveis terão reajuste automático nesses valores. Os preços finais dependem de diferentes componentes da cadeia de comercialização.

Gás de cozinha - No orçamento doméstico, o gás de cozinha também poderá ficar mais caro. Embora o aumento tributário corresponda a menos de R$ 1 por botijão de 13 quilos, o produto já enfrentou pressões de preços em 2026.

Em março, o Sinergás (Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste) alertou para a possibilidade de reajuste entre R$ 5 e R$ 8 por botijão em Mato Grosso do Sul, em razão dos custos do diesel e da instabilidade internacional.

O mercado também registrou redução no consumo. Conforme levantamento da ANP publicado pelo Campo Grande News, as vendas de botijões de 13 quilos no Estado somaram 30.443 toneladas entre janeiro e maio, menor volume para o período desde 2018.

Entenda por que o combustível vai aumentar - A atualização foi aprovada pelo Confaz por meio dos convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, publicados na última quarta-feira (28). A medida segue a Lei Complementar 192/2022, que estabeleceu um modelo de tributação dos combustíveis com valores fixos por litro ou quilo, conhecido como alíquota ad rem.

Diferentemente de outros produtos, cuja tributação costuma ser calculada como percentual do preço, o ICMS sobre esses combustíveis é cobrado em valor fixo por unidade, com alíquotas uniformes no País.

O Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) informou que a atualização atende à legislação federal e acompanha a evolução dos preços dos combustíveis.

O órgão também destacou a instabilidade internacional dos derivados de petróleo e informou que os estados estudam alternativas relacionadas à atualização do imposto sobre o diesel.

A decisão ocorre poucas semanas depois de o governo federal anunciar a suspensão temporária de tributos sobre a gasolina. Em 9 de outubro, foram zeradas por 30 dias as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis, medida que representou redução tributária de R$ 0,89 por litro e poderia ser prorrogada.

Enquanto o governo federal adotou medidas emergenciais para conter a alta dos combustíveis, os estados aprovaram a atualização do ICMS prevista para 2027. As decisões envolvem tributos diferentes e não permitem antecipar qual será o preço nas bombas quando as novas alíquotas estaduais começarem a valer.