Publicado em: 10/10/2026
Grupo criminoso tenta ganhar território onde rival já atua, deflagrando disputa com mortes e atentados
As recentes mortes em Sidrolândia ajudam a mapear a atuação do Comando Vermelho na tentativa de expandir seu território em Mato Grosso do Sul. Pelo menos dez municípios aparecem no cenário traçado pela Polícia Militar, entre cidades onde criminosos teriam alugado imóveis para preparar atentados e pontos estratégicos das rotas do tráfico de drogas e armas. Campo Grande também integra esse mapa, com o Bairro Nova Lima citado por sua ligação com um duplo homicídio e um incêndio criminoso associados a um dos suspeitos.
A movimentação foi detalhada neste sábado (10) pelo major Cleyton da Silva Santos, comandante do Batalhão de Choque, após a operação policial que terminou com quatro mortos em Sidrolândia, na sexta-feira (9). Segundo o comandante, o grupo localizado na cidade já havia passado por outros municípios, onde seus integrantes são investigados por atentados e assassinatos.
Em Cassilândia, os suspeitos teriam cometido homicídios e outros ataques antes de se deslocarem para diferentes regiões. Em Maracaju e Chapadão do Sul, chegaram a alugar imóveis que, segundo a polícia, eram utilizados para organizar atentados. Já em Sidrolândia, os integrantes do grupo estavam escondidos quando foram localizados pelas equipes policiais.
A operação ocorreu no loteamento Alto da Figueira, com participação de equipes do Batalhão de Choque e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros). Conforme a versão policial, os quatro suspeitos reagiram à abordagem e morreram durante o confronto. Um deles era investigado por envolvimento em uma tentativa de homicídio ocorrida na quinta-feira (8), no Bairro Ipacaray.
A ação ocorreu em meio a uma sequência de crimes atribuídos à disputa entre o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Polícia Civil já investigava pelo menos 13 homicídios consumados e tentados relacionados à guerra entre as facções em Sidrolândia.
Na Capital, o Bairro Nova Lima também foi mencionado pelo comandante no contexto da movimentação dos suspeitos. Um dos investigados é associado a um duplo homicídio e a um incêndio criminoso na região. A polícia, porém, não detalhou na entrevista quando ocorreram os crimes nem a identidade das vítimas.
Rotas do tráfico - Além dos municípios onde os suspeitos teriam cometido atentados, o comandante apontou cidades utilizadas como corredores para o transporte de drogas, armas e contrabando. O controle dessas rotas é um dos fatores relacionados à disputa territorial entre organizações criminosas.
"Para você poder deslocar uma carga de droga para o Mato Grosso, obrigatoriamente você vai ter que sair de Ponta Porã, vai passar por Maracaju, Dourados, vai passar por Sidrolândia, vai ter que subir para Coxim, vai ter que subir para Sonora. Então são cidades estratégicas para o crime", explicou.
Segundo o major, os municípios também fazem parte de corredores utilizados para o transporte de cargas ilegais em direção a São Paulo, o que exige atuação policial nas regiões de passagem.
"Como essas cidades são estratégicas, tanto na rota que entra para o Mato Grosso quanto para São Paulo, a gente tem tido um contato ali, um cuidado muito grande", afirmou.
Ivinhema foi outro município mencionado pelo comandante, desta vez por confrontos associados diretamente à disputa territorial entre facções criminosas.
"Assim como nós tivemos ocorrências lá em Ivinhema, que foi justamente também por essa guerra territorial", relatou.
Em Coxim, o Batalhão de Choque realizou operações que resultaram em apreensões de armas, prisões de foragidos e confrontos com criminosos.
"Vimos isso muito lá na região de Coxim, onde nós tivemos um combate muito contundente ao crime lá nas suas mais variadas modalidades, tivemos muitas ocorrências onde apreendemos várias armas de fogo, prendemos muitos foragidos, então tivemos muitos confrontos lá", afirmou.