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Sem escolta da ‘Máfia dos Cigarreiros’, apreensão de cigarros em MS já superou volume de 2017

29 policiais militares foram parar atrás das grades, suspeitos de receber propinas milionárias para ajudar contrabandistas

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Imagem: (Divulgação/PRF)

Mato Grosso do Sul é apontado como uma das principais rotas dos “cigarreiros”, que abastecem o mercado brasileiro com cigarros de fabricação paraguaia sem pagar impostos. Após a operação que colocou atrás das grades 29 policiais militares suspeitos de integrarem uma quadrilha para facilitar o contrabando, as forças de segurança intensificaram a fiscalização e as apreensões aumentaram.

Balanço divulgado nesta quarta-feira (11) pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) aponta que as apreensões de cigarro neste ano, feitas pela corporação, já superaram o volume apreendido durante todo o ano passado. De acordo com a PRF, em 2017 foram 19.202.940 maços apreendidos. Neste ano, somente no primeiro semestre, as apreensões já somam 26.398.490 maços, aumento de 37%. Também foi registrado aumento nas apreensões de armas, munições, cigarros e cocaína.

“Trabalho esse em virtude da Operação Égide, que vem intensificando o combate à criminalidade na região de fronteira desde julho de 2017”, informa a corporação por meio de nota.

No dia 15 de maio em Ivinhema, a Polícia Federal fez a maior apreensão de cigarros contrabandeados do país: foram tirados de circulação 11 milhões de maços, que estavam em 11 carretas. Para apreender essa carga, policiais da PF chegaram a cercar Ivinhema.

Balanço da PRF

A apreensão total de drogas no primeiro semestre de 2018 caiu em 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram apreendidos 104.926 quilos de drogas, informou a PRF.

Cocaína: Droga que teve um aumento de mais de 80%. Em 2017 foram 1.240 quilos e 2.235 quilos em 2018, ocasionado pela apreensão recorde no Estado de 889 quilos, em Água Clara.

Armas: As apreensões de armas aumentaram 35% nesse ano. Foram 42 armas apreendidas e no mesmo período do ano passado, foram 31.

Munições: A apreensão de munições aumentou em cerca de 373%. Em 2017 foram 3.957 unidades e em 2018 foram 18.749 unidades. As munições apreendidas são dos mais variados calibres.

Veículos: Foram recuperados 252 veículos em 2017 e 263 nesse ano. Aumento de 4,3%.

Prisões: O número de pessoas presas reduziu em 14,5%. De janeiro a junho de 2017 foram 1.337 pessoas detidas pela PRF e no mesmo período deste ano foram 1.143.

Cigarreiros em MS

Em maio deste ano, a ofensiva contra os “cigarreiros” ocorreu com a Operação Oiketikus, que contou com a participação de cerca 125 policiais militares e nove promotores de Justiça. Policiais militares suspeitos de participação no esquema entraram na mira com a prisão de mais de 20 agentes da corporação, só na primeira fase da ação.

No total, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso do Sul denunciou 28 dos 29 policiais presos durante as duas fases da operação Oiketicus, que investiga a atuação de policiais para garantir a livre movimentação da chamada “Máfia do Cigarro”. Ricardo Campos Figueiredo não entrou na lista pois está preso por obstrução de justiça, já que quebrou celulares que seriam levados como prova.

Os policiais denunciados pelo grupo são Admilson Cristaldo Barbosa, Alisson José Carvalho de Almeida, Anderson Gonçalves de Souza, Angelucio Recalde Paniagua, Aparecido Cristiano Fialho, Claudomiro de Goes Souza, Claiton de Azevedo, Clodoaldo Casanova Ajala, Elvio Barbosa Romeiro, Erick dos Santos Ossuna, Francisco Novaes, Ivan Edemilson Cabanhe, Jhondnei Aguilera, Kelson Augusto Brito Ujakov, Kleber da Costa Ferreira, Lindomar Espindola da Silva, Lisberto Sebastião de Lima, Luciano Espindola da Silva, Maira Aparecida Torres Martins, Marcelo de Souza Lopes, Nazário da Silva, Nestor Bogado Filho, Nilson Procedônio Espíndola, Oscar Leite Ribeiro, Roni Lima Rios, Salvador Soares Borges, Valdson Gomes de Pinho e Wagner Nunes Pereira.

A investigação teve início em abril do ano passado, quando a corregedoria da Polícia Militar repassou aos promotores denúncias sobre “rede de policiais militares, maioria da fronteira, envolvidos em crime de corrupção e organização criminosa”. Os promotores reforçam que militares de diferentes patentes e regiões do Estado se associaram para facilitar o contrabando.

Em troca, os militares recebiam propinas de até R$ 100 mil para fazer “vista grossa” e até repassar informações sigilosas aos contrabandistas.

Os mandados tiveram como alvo residências e locais de trabalhos dos investigados, distribuídos nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão, Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

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