Publicado em: 01/05/2026
Atual situação levanta preocupações sobre o futuro da unidade e reforça a cobrança por medidas urgentes que garantam a recuperação da estrutura e a retomada das atividades
O Colégio Agrícola de Ivinhema, que por décadas foi referência na formação de jovens e porta de entrada para o mercado de trabalho no campo, enfrenta hoje um cenário de abandono, com estrutura deteriorada e atividades comprometidas.
Criado para oferecer ensino fundamental, médio e formação técnica em agropecuária, o espaço já preparou gerações de estudantes para atuar em usinas, propriedades rurais e empresas do setor. Com o passar dos anos, no entanto, a falta de manutenção e de investimentos levou à perda gradual das condições adequadas de funcionamento.
Relatos de alunos e familiares descrevem o ambiente atual como precário, comparado a um barracão velho, sem estrutura mínima para garantir qualidade de ensino e segurança. A situação expõe o esvaziamento de um espaço que já foi símbolo de oportunidade para jovens de Ivinhema e de municípios vizinhos.
A reação da comunidade foi imediata. Alunos, pais e moradores da Vila Cristina realizaram uma manifestação em frente ao colégio, cobrando providências e denunciando a ausência de reforma no local. Durante o ato, representantes do Núcleo de Pais afirmaram que, ao contrário do que parte da população acreditava, não há obras em andamento. Também destacaram a importância do curso técnico agrícola (CTA), responsável por formar jovens com qualificação profissional e ampliar oportunidades de inserção no mercado. Moradores reforçaram ainda o valor da estrutura, que conta com cerca de 50 hectares e já recebeu estudantes de diversas cidades da região.
Diante da repercussão e das denúncias apresentadas pela comunidade, a situação passou a chamar a atenção do Ministério Público, que pode acompanhar o caso e avaliar possíveis medidas diante das condições da unidade e da interrupção das atividades. A expectativa é de que haja apuração e encaminhamentos que garantam o direito dos alunos a um ensino adequado.
O deputado estadual Renato Câmara se posicionou sobre o tema após a mobilização e reforçou a necessidade de preservar a história e a função do colégio. Ele relembrou que, durante sua gestão como prefeito, foram realizados investimentos importantes na unidade, incluindo reforma da estrutura, implantação de laboratório com apoio da iniciativa privada e criação de espaços práticos de ensino.
“Não é uma questão política, é uma política pública que precisa ser contínua. Estamos falando de preparar futuras gerações para o mercado de trabalho e para os desafios do futuro. Não podemos aceitar que nossos jovens percam o acesso ao ensino técnico e sejam colocados hoje em um barracão velho, sem estrutura”, afirmou.
O parlamentar destacou que as melhorias realizadas ao longo dos anos fazem parte de um legado construído para a juventude do município. “O Colégio Agrícola é um legado de Ivinhema. A reforma que realizamos e toda a estrutura construída mudaram a vida de muitos jovens. Eu participei dessa história e sei da importância que ele tem para tantas famílias. Não vou permitir que esse legado seja destruído. Vou estar ao lado da população para defender essa escola”, declarou.
A atual situação levanta preocupações sobre o futuro da unidade e reforça a cobrança por medidas urgentes que garantam a recuperação da estrutura e a retomada das atividades. Para moradores, alunos e ex-alunos, o colégio representa mais do que um espaço físico: é um instrumento de formação, oportunidade e mudança de vida.