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Testes para conseguir posse de arma sobem 300% e curso custa ao menos R$ 850 em MS

Aulas básicas para apreender a atirar são feitas em um dia, com 50 tiros

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O número de testes para se obter uma arma de fogo, pelo menos em um estabelecimento credenciado pela Polícia Federal, subiu 300%, em Campo Grande. Já o curso, que não é obrigatório, segue com boa procura, é feito em um dia apenas e custa o mínimo de R$ 850.

O aumento da procura é celebrado por Rogério Santana, 42 anos, que é instrutor da Cetral e sargento do Exército Brasileiro. No final de 2018, eram cerca de 20 testes. No mês seguinte já são em torno de 80. A procura pela compra de armas aumentou bastante depois do decreto presidencial, emitido em 15 de janeiro deste ano.

''Isso, porque não fechou nem o mês'', observa Santana.

Curso

Rogério explica que o curso não é obrigatório para se conseguir posse da arma. No entanto, quem não possui experiência alguma com armamento, certamente não passará pelo teste de aptidão, este sim obrigatório.

O curso, que não é avaliativo e portanto não se reprova, tem nove níveis, diz Rogério. Mas no básico, o aluno atira 50 vezes. Pela manhã é feita a parte teórica, que fornece conhecimentos sobre legislação e nomenclatura de peças. À tarde, a aula prática. Nele, o aluno aprende a operar armamento de cano curto, como revólver calibre .38 e pistola calibre .380.

O ensinamento dado ali, diz o instrutor, é bastante focado na parte prática. Ele conta que os erros mais comuns entre os iniciantes são nos quesitos empunhadura e visada.

''Se ele errou esses dois principais não consegue nem acertar o alvo'', explica Santana. Ele complementa que no aprendizado basta acertar o alvo, não importa o local.

Os níveis mais avançados do curso envolvem disparos a distâncias maiores, em condições de estresse, em ambiente noturno, baixa iluminação e com barricadas. O valor pode chegar a R$ 1.200, com número de tiros que chega a 150.

No local existem dois estandes, um com seis baias e outro com três. Para atirar, a pessoa precisa usar obrigatoriamente óculos, abafador e colete.

''Caso contrário, o aluno e o instrutor correm riscos'', explica o profissional.

Teste

O teste de capacitação tem de ser agendado na Polícia Federal, com 72 horas de antecedência diz o instrutor, onde são informados detalhes como o calibre da arma, dia e hora para que as autoridades possam fiscalizar a atividade, caso queiram. Antes, é feito o teste psicológico por um profissional da área, credenciado também pela PF.

''Se estiver apto, vai para a parte teórica da avaliação. Se for reprovado, tem de fazer novamente até conseguir'', pondera o profissional da empresa que atua há 30 anos na capital.

Na avaliação teórica, segue Santana, o interessado tem que acertar 70% da prova para seguir. Na fase prática, o candidato tem de fazer 60 pontos, em arma curta. ''Abaixo disso está reprovado'', garante Rogério.

O candidato deve fazer 20 disparos em duas distâncias diferentes. Rogério garante que a maioria das pessoas tem alguma experiência com armamento, por isso, a cada dez testes, cerca de dois reprovam.

O valor completo do teste, que inclui a avaliação psicológica, teste prático e montagem do processo documental custa R$ 750.

Embora seja atribuição da Polícia Federal, Rogério conta que o número de autorizações para portar uma arma, bem mais rigorosa que para a posse, ''tem saído bastante''.

Conforme a Polícia Federal, atualmente existem 11.803 armas registradas no estado, para uma população de 2,6 milhões de habitantes.

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