Publicado em: 30/05/2026
Investigação revelou que o bando utilizava imóveis rotativos para esconder entorpecente que vinha da fronteira
As investigações da Operação Atridas, conduzida pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), revelaram detalhes de uma engrenagem sofisticada mantida por uma quadrilha para o tráfico interestadual de drogas em Campo Grande. O grupo utilizava o esquema conhecido como "casas-bomba", residências alugadas por temporada que serviam como depósitos rotativos de grandes carregamentos de entorpecentes vindos da fronteira com o Paraguai.
Durante a ação, a polícia prendeu quatro pessoas em flagrante: Tiago Teixeira Farias, 33 anos; Lucas Teixeira Farias, 29 anos; Beatriz Bianca Correa Costa, 20 anos; e Fabiana Fátima Costa, 40 anos. A polícia monitorava os passos dos suspeitos desde o início do ano, quando localizou o primeiro entreposto do grupo.
O grupo foi alvo da operação Asfixia II em conjunto com a Polícia Civil de Goiás, que também teve como alvo Clarice Garcia Velasco Rodrigues, no entanto, ela não consta do flagrante da ação das "casas-bomba". O grupo foi alvo de mandados de prisão e de busca em aberto cumpridos durante a ação na manhã de quinta-feira (28), na região sul de Campo Grande.
Logística rotativa
De acordo com os registros policiais, em janeiro deste ano, a Denar já havia estourado uma dessas "casas-bomba" na Rua Abib Possim, localizada no Bairro Residencial Betaville. Naquela ocasião, os agentes apreenderam mais de duas toneladas (2.033 kg) de maconha, além de uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton clonada que já estava carregada para distribuição.
Para evitar novos flagrantes e não chamar a atenção de vizinhos, a organização criminosa mudou a rota e passou a adotar imóveis nos bairros Vila Morumbi e Jardim Itamaracá. Na última quinta-feira (28), os policiais civis fecharam o cerco contra os novos endereços.
Na atual fase, na Rua Clodomiro Oliveira Bastos, foram apreendidos mais 147 tabletes de maconha, que totalizaram 155,8 quilos da droga, além de porções de cocaína, balanças de precisão e cadernos de anotações com a contabilidade do tráfico. No local, a equipe também localizou uma pistola Glock calibre .380, carregada com 47 munições e escondida em um fundo falso, e uma caminhonete Toyota Hilux SW4 roubada no Rio de Janeiro e com placas clonadas.
A polícia indiciou o bando por tráfico de drogas, associação para o tráfico, posse irregular de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo. Em audiência de custódia realizada na comarca de Campo Grande, a Justiça analisou a situação dos presos. A Justiça homologou o flagrante de Fabiana, Lucas e Tiago e converteu a prisão em preventiva para garantir a ordem pública.
O magistrado levou em consideração a gravidade concreta do caso e os antecedentes dos acusados. Durante o ato, Tiago alegou informalmente ter sofrido violação de direitos e ameaças por parte dos agentes no momento da abordagem, acusação que foi encaminhada para apuração específica pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial).
Já Beatriz teve a preventiva substituída pelo regime de prisão domiciliar após comprovação de uma condição especial de assistência que exigia o acompanhamento de um filho recém-nascido, medida concedida em caráter humanitário com aplicação de medidas cautelares. O processo segue em tramitação na Justiça de Mato Grosso do Sul.