Publicado em: 14/03/2026
Namorado afirmou que teve ajuda de casal para agredir a vítima, que ainda foi ameaçada de morte
Uma mulher trans, de 29 anos, afirma que foi torturada pelo namorado e por um casal para quem teria prestado um serviço de jardinagem neste sábado (14), em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. A vítima teria sido agredida e marcada com queimadura simbolizando a suástica nazista.
À polícia a vítima disse que estava cortando a grama da casa onde mora quando o ex-namorado chegou ao local e os dois reconciliaram. Horas depois, ela teria recebido a ligação de uma mulher solicitando serviço de jardinagem. No local, ela teria sido agredida pelo namorado e pelos donos da casa.
Conforme os relatos da vítima, ela estava cortando a grama quando a cliente a chamou e disse para que fosse até o escritório onde estavam os dois homens: o dono da casa e o namorado da vítima. Ao entrar, o homem teria pedido que ela inalasse um frasco contendo um coágulo de sangue. Depois disso, teria dito para que ela enterrasse o conteúdo.
A vítima contou que se negou a realizar o serviço e foi ameaçada de morte pelo dono da casa. Em seguida, tentou fugir e foi segurada pelo namorado e agredida com um taco de sinuca.
Mais uma vez tentou escapar, no entanto, já do lado de fora da casa foi alcançada pelo namorado e agredida com golpes de vassoura, pisadas, socos e joelhadas. Segundo ela, o homem contou com a ajuda do dono da casa que a segurou e tentou enforcá-la com uma faixa de jiu-jitsu.
Conforme os relatos, a vítima foi mantida sentada na varanda da casa. Na versão apresentada por ela, a dona da casa também teria participado das agressões e danificado o celular dela usando uma faca. “Agora você não tem como pedir ajuda. Que peninha”, teria dito.
A vítima afirmou que o casal passou a ingerir bebidas alcoólicas e desferir vários golpes em sua cabeça. De acordo com os relatos, as agressões foram intensificadas. O homem teria amolado uma faca e pedido para que a noiva esquentasse a ferramenta para que pudessem marcar a vítima com um símbolo da suástica nazista.
A mulher trans foi marcada no braço esquerdo, próximo ao ombro. Depois disso, o homem teria ordenado que ela fosse embora e ameaçou decapitá-la com uma foice, caso ela denunciasse as agressões. Aos militares a vítima contou que foi para casa onde mora e pouco depois decidiu pedir socorro em um estabelecimento comercial.
Namorado preso em flagrante
Uma equipe da Polícia Militar foi acionada e o namorado da vítima foi preso em flagrante. Questionado sobre as agressões, ele admitiu que foi ao local para cortar a grama da casa, mas que ao chegar, o dono do imóvel o chamou até o escritório para que pudessem conversar sobre um trabalho. No entanto, não informou qual seria o serviço oferecido.
O homem também contou que a vítima entrou no escritório e os dois começaram a discutir e ele a agrediu com socos no rosto. Além disso, admitiu que segurou a namorada para que o casal a torturasse. A Polícia Militar foi até a residência onde ocorreram as agressões, mas apesar de haver pessoas na casa, ninguém recebeu a equipe.
Diante da situação, a Polícia Civil e a Força Tática da Polícia Militar também foram acionadas para atender a ocorrência. Após algumas tentativas, alguns policiais pularam o muro do imóvel e depois disso, foram recebidos pelo proprietário.
Versões contraditórias
Ao ser questionado sobre as agressões, o homem desconversou. Disse que na semana anterior, sua noiva teria vivenciado algo que considerou ser um aborto. O fato teria ocorrido quando ela percebeu um coágulo de sangue em um coletor. Ele disse que a noiva tinha o sonho de ser mãe e que ficou abalada com a situação e depois disso, teria guardado o material em um frasco e colocado no escritório.
Mais uma vez questionado sobre as agressões cometidas contra a vítima, ele alegou que a pagou adiantado para realizar uma semana de faxina na casa, mas que ela não apareceu e no decorrer daquela semana sua noiva se acidentou lavando a louça, o que o aborreceu.
O homem também relatou que encontrou o namorado da vítima em um mercado e combinou que o casal fosse à casa dele para cortarem a grama. Ainda segundo ele, em determinado momento, demitiu a vítima e, em seguida, ela e o namorado começaram a discutir e ele tentou intervir.
Em depoimento, o homem afirmou que o namorado da vítima a agrediu com um taco de sinuca e que o casal passou a se agredir. O dono da casa disse que tentou separá-los e que segurou o homem para que a vítima pudesse ir embora. A mulher apontada pela vítima como um dos autores, confirmou a versão apresentada pelo noivo.
Os três suspeitos foram encaminhados para a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã. A vítima apresentava diversas lesões, incluindo a queimadura em forma de suástica nazista. A Perícia Técnica também foi acionada e o caso será investigado.