Publicado em: 02/09/2026

Em cinco anos, mais de 2 mil famílias perderam as casas por falta de pagamento

O pico da inadimplência que culminou na perda dos imóveis ocorreu em 2025, conforme a Caixa Econômica

CGNews, Lucia Morel
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Uma das 165 casas à venda pela Caixa Econômica em Campo Grande. (Foto: Reprodução)

Em cinco anos, 2.086 famílias perderam as casas onde moravam por falta de pagamento e tiveram os bens levados a leilão pela Caixa Econômica Federal. Números da instituição revelam que, desse total, 85%, ou 1.773, foram leiloados ou vendidos por meio de outras formas disponibilizadas, como venda online e compra direta, ou saldo de leilão e concorrência pública. A média é de 38 imóveis residenciais retomados a cada mês.

O pico da inadimplência que culminou na perda das casas ocorreu em 2025, quando 591 pessoas ou famílias ficaram sem o bem. Para a Caixa, essa quantidade decorre do retorno à normalidade do mercado de leilões após a pandemia de covid-19.

Neste ano, até o momento, 227 imóveis residenciais foram retomados. Entre eles está a casa da empresária e estudante de medicina Karen Ratier. Após 11 prestações não pagas, em fevereiro deste ano a instituição bancária encerrou o contrato de financiamento e levou o imóvel a leilão. Com medo e em busca de uma última saída para a questão, ela recorreu às redes sociais para pedir ajuda.

Ela relatou que, até a data da consolidação, quando a casa passou para a posse do banco, a dívida sem juros somava R$ 7,9 mil. Com os acréscimos, o valor atingiu quase R$ 20 mil. Segundo ela, após a consolidação o contrato foi cancelado, deixando de gerar parcelas pagáveis. A família conseguiu na Justiça adiar o certame e convocar a entidade bancária para uma tentativa de conciliação. A Caixa ainda não se manifestou no processo.

Conforme o banco, durante a pandemia foram aplicadas medidas para mitigar os impactos à população, e a instituição ofereceu alternativas aos mutuários inadimplentes, como pausa estendida no pagamento das prestações e possibilidade de pagamento parcial das parcelas.

Atualmente, conforme a entidade financeira, são disponibilizadas opções de negociação para que o cliente possa regularizar o fluxo de pagamentos, como a incorporação das prestações vencidas ao saldo devedor do contrato ou o pagamento parcial das parcelas por até seis meses.

Pelo site de venda de imóveis do banco, há casas e apartamentos em diversos bairros e cidades de Mato Grosso do Sul, com valores entre R$ 70 mil e R$ 1 milhão. Ao todo, 165 imóveis estão sendo comercializados somente em Campo Grande.