Suspeito no caso Marielle, “capitão Adriano” é morto pela polícia da Bahia

Apontado como chefe de um grupo de matadores de aluguel e investigado na morte de Marielle, ele reagiu à prisão

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"Capitão Adriano": criminoso era um dos mais procurados pela polícia do Rio e estava foragido desde o início do ano passado. Imagem: (Reprodução)

O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto na manhã deste domingo durante uma troca de tiros com policiais de Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Bahia, com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio. Apontado como autor de diversos homicídios, o ex-militar era um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro, inclusive com alerta vermelho da Interpol. O ex-policial militar foi localizado numa área rural do estado da Bahia, no município de Esplanada. A ação teve apoio da Secretaria de Estado de Segurança da Bahia. No início deste mês, a Policia Civil fez uma operação na Costa do Sauípe para prendê-lo, mas não o encontrou. Na ocasião, Adriano deixou para trás uma identidade falsa.

Há cerca de um ano, capitão Adriano vinha sendo investigado e monitorado pela inteligência da Secretaria de Polícia Civil, que conseguiu chegar ao paradeiro dele na Bahia. Com apoio operacional do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar da Bahia, foi realizada uma ação com o uso de helicóptero. Segundo a polícia, Adriano era acusado de ser o chefe de um grupo criminoso formado por matadores de aluguel, que ficou conhecido como Escritório do Crime — investigado por suspeita de envolvimento nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ele era réu na Operação Intocáveis do Ministério Público do Rio (MP-RJ), que apura a milícia de Rio das Pedras.

Deflagrada em 22 de janeiro do ano passado, com base em investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ, a “Intocáveis” revelou que o ex-capitão comandava um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais, com o pagamento de propina a agentes públicos, a fim de manter seus negócios ilícitos, “sempre de forma violenta e por meio de ameaças”. Adriano era o único foragido da “Intocaveis”. Os outros 12 integrantes da milícia de Rio das Pedras estão presos.

Homenagens

O ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega foi alvo de duas honrarias, de louvor e congratulações por serviços prestados à corporação. A primeira, uma moção, ocorreu em outubro de 2003, por comandar um patrulhamento tático-móvel, quando estava no 16º BPM (Olaria). Na época, o militar era primeiro-tenente.

O texto da moção de número 2.650/2003 dizia que ele era homenageado “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade”.

Flávio Bolsonaro justificou o ato: “no decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade, recebendo vários elogios curriculares consignados em seus assentamentos funcionais. Imbuído de espírito comunitário, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidadão. É com sentimento de orgulho e satisfação que presto esta homenagem”.

As ligações de Adriano com o senador Flávio Bolsonaro não param por aí. A mãe e a ex-mulher do ex-capitão do Bope, Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, foram lotadas no gabinete dele quando era deputado estadual, em 2018. No mês passado, a família do miliciano foi acusada pelo MP de participar de um suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Alerj. Segundo o pedido de busca e apreensão feito pelos promotores, as duas teriam transferido R$ 203 mil para Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente. acusado de receber, entre 2014 e 2016, 22 pagamentos no valor de R$ 60 mil, para proteger os empresários do setor de transportes do Rio de eventuais ações judiciais.

Alerta internacional

Em janeiro do ano passado, o Ministério Público estadual pediu à Polícia Federal que fosse emitido um alerta à Interpol para incluir os sete foragidos da Operação Os Intocáveis em sua lista de procurados. O principal nome era de Adriano Magalhães da Nóbrega. A caçada à quadrilha teve início em 2019, quando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio, com o apoio da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou a operação para desarticular o grupo paramilitar, considerado um dos mais perigosos da cidade.

Na operação, promotores e policiais tentaram cumprir 63 mandados de busca e apreensão nas residências de 13 suspeitos e em locais considerados possíveis esconderijos. Um dos endereços visitados foi o da associação de moradores da comunidade, que é, segundo a investigação, controlada pela quadrilha. Seis pessoas foram presas.

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